Tratamentos

Tratamento especializado em deformidades da coluna

A coluna vertebral é o eixo central do nosso corpo. Ela não apenas sustenta nossa estrutura, mas também protege o sistema nervoso e nos permite a liberdade de movimento. No entanto, quando surgem alterações em sua curvatura natural, o impacto vai muito além da estética: afeta a mobilidade, causa dor e pode, em casos mais severos, comprometer funções vitais.

Como cirurgião de coluna, acompanho diariamente o impacto dessas deformidades na vida de crianças, adolescentes e adultos. Vejo pais preocupados com o “desvio” nas costas dos filhos e adultos que sofrem com as consequências de uma alteração não tratada na juventude. Meu objetivo com este artigo é trazer clareza e informações baseadas em evidências científicas para que você entenda o que são essas deformidades e quais os caminhos para recuperar a qualidade de vida.

A coluna humana possui curvaturas fisiológicas (normais) quando olhada de lado, chamadas de lordose (na região do pescoço e da lombar) e cifose (na região do tórax). Essas curvas ajudam a absorver impactos. As deformidades ocorrem quando essas curvas se tornam excessivas ou quando a coluna se inclina para os lados.

  • Escoliose: Um desvio lateral da coluna que a faz parecer um “S” ou um “C” quando vista de costas.
  • Cifose (ou Hipercifose): O aumento da curvatura torácica, popularmente conhecida como “corcunda”.
  • Espondilolistese: Quando uma vértebra desliza sobre a outra, alterando o alinhamento do eixo.

Como identificar os sinais de alerta?

O diagnóstico precoce é o fator que mais influencia o sucesso do tratamento, especialmente em crianças. Como pai ou responsável, você pode observar alguns sinais durante o dia a dia:

  1. Assimetria dos ombros: um ombro parece mais alto que o outro.
  2. Desalinhamento da bacia: um lado do quadril parece mais proeminente.
  3. Diferença nas escápulas: uma das escápulas parece mais elevada que a outra.
  4. Teste de Adams: peça para a criança inclinar o tronco para frente, tentando tocar os pés. Se notar uma gibosidade (uma “corcunda” ou elevação) em um dos lados das costas, isso é um sinal clássico de escoliose.

 

Em adultos, os sinais costumam ser acompanhados de:

  • Dor persistente na coluna.
  • Fadiga muscular ao ficar de pé por muito tempo.
  • Sensação de que o corpo está “pendendo” para um lado.

 

Diagnóstico 

Para definir a melhor conduta, realizo uma avaliação individualizada. A consulta começa com um exame físico detalhado e histórico familiar. Os exames de imagem são fundamentais para quantificar a deformidade:

  • Radiografia panorâmica: é o exame padrão-ouro. Nele, medimos o Ângulo de Cobb, que determina o grau de curvatura da coluna.
  • Ressonância magnética: utilizada para avaliar se há compressão de nervos ou alterações dentro do canal medular.
  • Tomografia computadorizada: importante para o planejamento cirúrgico em casos de deformidades complexas, permitindo visualizar a anatomia óssea em 3D.

Opções de tratamento: do conservador ao cirúrgico

  1. Observação e exercícios específicos

Para curvas leves (geralmente abaixo de 20-25 graus em adolescentes), fazemos o acompanhamento periódico com exames de imagem para garantir que a curva não está progredindo. Exercícios de fisioterapia específicos para escoliose ajudam na estabilização.

  1. Uso de coletes (Órteses)

Indicado para adolescentes com potencial de crescimento e curvas entre 25 e 40 graus. O objetivo do colete não é “desentortar” a coluna, mas sim impedir que a curva piore até que o esqueleto termine de crescer.

  1. Procedimentos minimamente invasivos

Para casos de dor associada a deformidades no adulto, podemos utilizar infiltrações e bloqueios para alívio dos sintomas, permitindo que o paciente consiga realizar sua reabilitação física.

  1. Tratamento cirúrgico

A cirurgia é indicada quando a curva ultrapassa os 45-50 graus em adolescentes (onde o risco de progressão na vida adulta é alto) ou quando a deformidade no adulto causa dor intratável e perda de mobilidade.

Atualmente, utilizamos técnicas modernas, como a técnica bipolar (que tive a honra de acompanhar com o Prof. Dr. Lotfi Miladi em Paris) e a navegação cirúrgica, que permitem corrigir a deformidade com precisão, menor sangramento e recuperação mais rápida. Meu foco é restaurar o equilíbrio do tronco, permitindo que o paciente volte a realizar suas atividades com confiança.

A importância de agir no tempo certo

As deformidades da coluna não precisam ser motivo de medo, mas sim de atenção. Hoje, com as tecnologias que dispomos, conseguimos tratar desde casos leves até as deformidades mais complexas com alta segurança. Se você notou qualquer alteração na sua postura ou na de seus filhos, ou se convive com uma dor que limita seus movimentos, procure uma avaliação detalhada. O acompanhamento próximo e individualizado é a chave para evitar complicações futuras e garantir que a coluna cumpra seu papel de sustentar uma vida plena.

Deseja agendar uma avaliação para o seu caso ou do seu filho? Minha consulta é conduzida de forma humana e detalhada, focando em entender o impacto da dor e da deformidade na sua rotina para indicarmos o melhor caminho juntos.